• Giovanna Balogh

Disciplina positiva; coloque ela em prática

Atualizado: Fev 26


"Eu apanhei e tenho uma coisa chamada educação". É muito comum vermos posts nesta linha nas redes sociais, mas é importante saber que os pais de hoje em dia podem buscar formas mais amorosas e respeitosas de criar seus filhos sem castigos, chantagens, punições e palmadas. Como? Com a chamada Disciplina Positiva onde a criança é respeitada e vista como um indivíduo também. A médica Marília Toledo, que é educadora parental, explica que a Disciplina Positiva permite uma reflexão sobre diferentes modelos de parentalidade possibilitando compreender as diferenças entre as maneiras de se relacionar com os filhos e as consequências em seu desenvolvimento.

A profissional é responsável pelo workshop de Disciplina Positiva que vai acontecer na Casa Moara e onde vão ser apresentados os conceitos que permitem compreender melhor os comportamentos das crianças e apresentar algumas ferramentas que ajudam mães e pais a colocarem em prática os princípios da Disciplina Positiva. A médica, que é psicoterapeuta, respondeu algumas questões em torno do assunto para tirar as principais dúvidas dos pais que querem buscar uma criação mais amorosa.

1 - O que é Disciplina Positiva?

A Disciplina Positiva é uma abordagem comportamental dos relacionamentos que, no tocante à educação das crianças, baseia-se no conceito de que é possível educar com firmeza e gentileza ao mesmo tempo, sem punição, castigos ou recompensas. Propõe uma forma de agir buscando um “caminho do meio entre o autoritarismo e a permissividade” e oferece ferramentas que ajudam os pais e cuidadores a desenvolver as habilidades necessárias para construir relacionamentos saudáveis com seus filhos.

2 - Para pais com filhos de qual faixa etária o curso é indicado?

O workshop é aberto para mães e pais de crianças de qualquer idade, ou seja, podem participar gestantes até pais de adolescentes.

3 - Dá para criar filhos sem punições, palmadas e chantagens? Porque a sociedade ainda acha isso tão difícil?

É fundamental e necessário educar as crianças sem agressões, punições, humilhações e chantagens. Pesquisas realizadas sobre as consequências desses tipos de violência praticadas por pais e cuidadores mostram que não somente essa maneira de educar não é eficaz quando comparada a maneiras gentis, como dificulta a formação de vínculos afetivos sadios com os pais, desencadeia problemas comportamentais, baixo rendimento escolar assim como está relacionada a graves problemas na vida adulta, como maior incidência de transtornos psiquiátricos (principalmente depressão – com maior probabilidade de tentativas de suicídio - e ansiedade), abuso de drogas, dificuldades nas relações sociais, etc.

A forma como nos relacionamos com nossos filhos é construída baseada principalmente na nossa experiência pessoal com pais e cuidadores, no contexto sociocultural (que compreende muitos “mitos” acerca da infância) e em nossa maturidade psicológica.

Mesmo a mais nova geração de pais atual recebeu, em sua grande maioria, punições e castigos físicos, ainda que “somente” palmadas. Até muito recentemente os castigos físicos eram considerados pelos educadores uma prática aceitável. Crianças não eram vistas como sujeitos de direito e eram consideradas “pequenos tiranos”. São referências e modelos fortemente internalizados e difíceis de romper que nos fazem repetir padrões de comportamento baseados principalmente no autoritarismo. É comum ouvir a frase “eu apanhei e não tenho traumas”. A questão é que não é possível prever como a agressão vai ser registrada na memória afetiva de cada um. Inúmeras dificuldades emocionais podem estar relacionadas com a violência sofrida sem que, conscientemente, o indivíduo estabeleça esta relação.

4 - Dá pra começar a Disciplina Positiva em qualquer momento?

As ferramentas da Disciplina Positiva não são uma “fórmula mágica” para mudar comportamentos. Aplicá-las de forma verdadeira e potencial pressupõe a priori uma mudança de paradigma em relação ao exercer da parentalidade. Essa mudança só acontece a partir de uma análise das próprias experiências, (processo que muitos educadores chamam de “cura da criança interior”) e do desenvolvimento de autocontrole e autoconhecimento. Uma nova forma de se colocar na relação com os filhos necessariamente abrirá espaço para uma nova forma de “responder” por parte deles (assim como, principalmente para os mais velhos, servirá como um excelente exemplo de evolução pessoal). Portanto, é possível colocar em prática os pressupostos e ferramentas da Disciplina Positiva em qualquer momento, mesmo quando os filhos já são adolescentes.

5 - O que difere essa forma de criação das demais?

O foco dessa abordagem não é a “obediência” – fazer com que a criança faça o que “eu” quero - ou a interrupção momentânea do “mau comportamento”. A Disciplina Positiva impulsiona primeiramente o estabelecimento de uma conexão saudável e amorosa com os filhos, gerando vínculos de confiança que não somente ajudam a lidar com os sentimentos que geram os comportamentos considerados “inadequados”, mas também e principalmente promovem a autonomia, a autoconfiança, estimulam o respeito e outras importantes habilidades que preparam a criança para a vida. Mais informações sobre o curso: Confira as próximas datas na nossa agenda clicando aqui. Valor: R$ 450 com direito a um acompanhante Inscrições: pelo telefone (11) 99358-7862 ou clicando aqui


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Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara