Com novas informações sobre parto, eles mudaram seus próprios paradigmas e estão muito satisfeitos

25/06/2010

A experiência de Débora e Marcio nos conta sobre como podemos transformar a nós mesmos para conseguirmos atingir nossos objetivos. Assim como a história de parto às vezes começa antes da gravidez, a conquista de um sonho é sempre um processo vivido com muita riqueza de emoções. Ao final, Marcio completa o depoimento destacando que a informação é a principal ferramenta – tanto para que a mulher consiga se entregar ao trabalho de parto, quanto para que o acompanhante fique tranqüilo com essa entrega total, e a espera pelas longas horas.

 

 

 

A nossa história

 

Uma das coisas que trago muito forte em minha vida, e que está naquele livro e filme “O Segredo”, é o poder de atração que temos sobre nossos desejos, e outros pensamentos. Acredito que se você idealizar, vai dar certo. Então, trago comigo alguns sonhos realizados. E este depoimento contém alguns deles.

 

Eu conheci o Marcio há muitos anos, em 2000, quando trabalhamos juntos por um curto período de tempo. Nessa época, nossas relações eram apenas profissionais. Em 2005, retomamos o contato novamente por causa do trabalho. Minha irmã estava abrindo uma empresa, e eu estava divulgando a abertura para todos os meus contatos comerciais. Então um dia, o Marcio respondeu ao meu e-mail, e começamos uma paquera virtual, que durou cerca de seis meses. Saímos juntos pela primeira vez somente em 2006.

Em nosso primeiro encontro, ainda antes do primeiro beijo, eu pensei: “você vai casar comigo!” E aconteceu. A gente se casou em 2009, foi uma cerimônia super bonita, do jeito que sempre sonhei.

 

Nós sempre quisemos ter filhos, mas como eu trabalho com intercâmbio e turismo, sempre viajei muito, com grande satisfação pessoal e profissional. E eu sabia que um dia teria que fazer esta escolha – que, ao tornar-me mãe, estaria impossibilitada de fazer todas essas viagens que sempre fiz, mas a maternidade era um desejo que eu também tinha.

 

O maior de todos os sonhos era passar a minha festa de aniversário de 30 anos grávida, com a barriga – e isso aconteceu. Em abril desse ano, fiz a minha festa, grávida, do jeito que eu queria.

 

Então, eu tenho essa sensibilidade muito grande, eu sei até o dia em que engravidei, e sabia que teríamos um menino, apesar do primeiro ultra-som sugerir uma menina. A minha certeza de que estávamos esperando o Arthur, e não uma menina, foi confirmada logo na segunda ultrassonografia.

 

A descoberta de um novo paradigma e a nossa gravidez

 

Assim como muitas pessoas, antes de pensar em engravidar, eu ignorava completamente um monte de informações sobre parto. E no meu imaginário, sempre havia pensado que o normal era fazer cesárea. Não tinha discussão, o modelo era marcar a data e pronto.

Alguns anos atrás, eu assisti a um vídeo de uma cesárea, de uma prima. E fiquei assustada “Nossa é assim que os bebês nascem?”. Apesar do desespero, eu pensei “É assim que o meu filho vai nascer”, porque aquilo era o normal.

 

Até que nossa cunhada teve um parto domiciliar planejado para o nascimento da nossa afilhada, Olívia. A primeira reação foi achar aquilo tudo uma maluquice, “e se acontecesse alguma coisa?”. Mas logo veio a primeira informação que nos surpreendeu: “Está tudo sob controle, nós temos plano B e plano C.” Então, para nós, só restava mesmo superar o medo pedindo em oração para tudo desse certo.

 

A Olívia nasceu super saudável, linda, e passados alguns dias, nós fomos visitá-los e assistimos ao vídeo do nascimento. E de novo, ficamos tocados por esta escolha de parto: vimos nossa cunhada totalmente entregue ao trabalho de parto, o desprendimento dela dos pudores com o corpo, e a banheira ali na sala – na mesma sala onde estávamos reunidos, em família, assistindo ao vídeo. Era uma experiência muito diferente de tudo o que conhecíamos.

 

Saí de lá pensando que aquilo era muito lindo, e realmente, em comparação com a cesárea que eu tinha visto, o parto natural, sem intervenções, era muito mais bonito. E foi aí que, sensibilizados pelo nascimento da Olívia, nós conversamos e decidimos parar com os remédios e tentar engravidar.

 

Chegamos até a fazer uma viagem com objetivo de engravidar, mas não rolou. Foi apenas na volta para casa, durante uma visita à família no interior, que senti que tinha engravidado. Na seqüência, fizemos outra viagem, para a Disney nos EUA. Chegando lá, fizemos um teste de farmácia, já que estava desconfiada, mas não deu em nada. E lá fomos nós curtir todas as montanhas russas, eu tomei cerveja, comi um monte de coisas, e nesse tempo, nada da menstruação vir. Antes de embarcar de volta para casa, fizemos um segundo teste, só que desta vez deu positivo, confirmando minha intuição, mas me deixando um tanto preocupada com os excessos da viagem.

 

De volta ao Brasil, fomos direto para a primeira consulta do pré-natal, com a médica que então me acompanhava como ginecologista. Tudo estava bem com nossa gravidez, e pudemos curtir muito a novidade.

 

Os pais da Olívia, que haviam tido o lindo parto domiciliar planejado, foram as primeiras pessoas para quem nós contamos da gravidez. E logo de início recebi a seguinte pergunta “E aí, você vai agendar a cesárea?” Essa pergunta me deixou inquieta, me deu uma sensação estranha, e eu respondi “Não, não sei. Mas eu não quero nenhuma pressão. Não quero que ninguém tente me convencer a fazer nada. Eu quero tomar as minhas decisões”.

 

Novas informações: mais segurança e tranqüilidade para as novas escolhas de parto

 

No Natal, ganhei da minha cunhada o livro “Parto com Amor”, de Luciana Benatti e Marcelo Min. E a cada relato eu me emocionava muito, e então comecei a pensar ‘eu não posso ser diferente, isso é tão bonito’ – o livro me tocou de uma forma leve, mas transformadora. E meu marido sabe, eu sou um tanto incisiva, prefiro eu tomar as decisões e a iniciativa, a ser conduzida a realizar algo. E o livro teve esse efeito em mim, de despertar o meu desejo genuíno de viver tudo aquilo, não foi uma imposição de ninguém, foi uma decisão minha.

 

Começamos a participar dos encontros na Casa Moara, e fomos buscando cada vez mais conhecimento. Conversando com outras mães, pude entender porque algumas mulheres que tinham tido uma primeira cesárea, por falta de informação, tinham se tornado ativistas da do parto natural, quando tiveram a oportunidade de viver uma boa experiência com os nascimentos dos filhos. E aí eu já pensava: “Será que todo mundo consegue? Será que eu vou conseguir?”

 

Em um desses encontros de gestantes, tive uma conversa muito marcante, com uma obstetriz de São Paulo – eu estava com cerca de 12 semanas. Aconteceu que, durante a rodada de apresentações, eu disse que ia “tentar ter um parto natural”. Recebi dela a seguinte resposta “Olha, é melhor você nem tentar. Ou você quer, ou não vai ter.” E essa frase foi muito impactante para mim, porque afinal de contas, todas as minhas conquistas profissionais e pessoais – o casamento, a gravidez – sempre foram guiadas pela força do meu pensamento e pela busca da realização do meu desejo. Nesse dia, eu percebi claramente que precisava mudar a minha colocação e me apropriar da expectativa: “Eu quero e vou ter um parto natural.”

 

Então comecei uma boa preparação, com yoga, hidroginástica, participei de todos os encontros que pude, li muito, especialmente sobre amamentação – porque eu já queria amamentar exclusivo, e nós conseguimos! Só agora estamos iniciando com a alimentação complementar. Muito importante também para que eu pudesse recuperar o peso de antes da gravidez, fica a dica.

 

A barriga foi crescendo, e as informações foram fazendo cada vez mais sentido. Até que chegamos ao final da gravidez, eu tinha ganhado muito peso, engordei 20 quilos, fiquei inchada, incômoda. E as pessoas logo começaram a colocar suas preocupações com sofrimento do bebê, e com o meu incômodo, ansiosas para que o nascimento ocorresse mais brevemente.

 

Isso também acabou me sensibilizando bastante, e assim eu fui até 40 semanas e 5 dias, buscando exercitar meu auto-controle. E estava escrevendo um diário para o Arthur no IPad, quando um dia bastante chateada, tive uma ‘briga’ com a barriga e registrei minha ansiedade no diário do Arthur “Filho, porque você não nasce logo?”

 

No dia seguinte fiquei mal, fui fazer yoga, chorei um monte por ter me cobrado o início breve do trabalho de parto, pedi desculpas para meu filho, e me perdoei. E então registrei uma carta bem bonita para ele: “Filho, me desculpas, você nascerá quando for o seu momento, e se tivermos que esperar até 42 semanas, vamos te esperar e receber com alegria”.

 

A hora da entrega: receber Arthur com segurança e tranqüilidade

 

 

Quando eu acabei de digitar a carta, fui tomar um banho e percebi que estava perdendo líquido. Eram 11h30 da noite. Estava de 40 semanas e cinco dias. Como tínhamos feito o Curso de Preparação para o Parto da Casa Moara, nós sabíamos que o rompimento da bolsa não era motivo para agir depressa. Terminamos o banho, e fomos para a cama, a ideia era descansar e até dormir.

 

Por telefone, falamos com a doula, que achou melhor vir até a nossa casa e nos acompanhar desde aquele momento, já que moramos em Santo André. Quando desliguei o telefone, senti a primeira contração. Mandei uma mensagem para a doula, que me orientou a mandar uma mensagem para a médica parteira. A médica então recomendou que a gente poderia sair para o hospital, quando contasse 14 contrações em uma hora.

 

Fomos tomados por uma imensa felicidade, e a cada contração, ficávamos mais felizes, já que estava chegando a hora de receber nosso Arthur. A doula chegou, e ainda fomos todos deitar para descansar. Usamos o aplicativo Contractions para monitorar as contrações. Até que às 4h da manhã, eu já estava totalmente entregue ao trabalho de parto, sem nenhuma vaidade ou pudores, quando nós fomos para o hospital, em São Paulo.

 

No momento da chegada, a presença da doula também foi muito importante, porque eu não tinha ideia do que fazer no hospital, para onde ir – e já estava sentindo muita dor. Além disso, o Marcio estava ocupado com os papéis da internação. Fiquei ainda mais tranquila quando vi que havia chegado a enfermeira parteira que nos acompanhou até o final, trabalhando junto com a médica. Fiquei muito feliz por encontrar um rosto conhecido, e por receber todo o pré-atendimento dela.

 

Uma das grandes preocupações que eu tinha, era com a possibilidade de chegar ao hospital e não ter a sala PPP disponível para uso. E de novo, isso me ocupou tanto os pensamentos durante a gravidez, que chegando lá, claro, a sala estava ocupada. Até que a situação fosse resolvida, eu me desconectei um pouco do trabalho de parto, fiquei em alerta. Acho que se isso não tivesse ocorrido, talvez o trabalho de parto tivesse sido mais breve.

 

Quando o quarto foi liberado, já enchemos a banheira, e eu voltei à minha entrega total. Na fase final do trabalho de parto, usei muito a água quente, que foi um excelente alívio para as dores. Depois, ainda fiquei um tempo na banqueta de parto, e por fim, acabei em cima da cama, sentada na banqueta de parto, em posição semi-reclinada.

 

Bom, acho que permanecia em meu inconsciente uma insegurança sobre como seria o expulsivo, e por um rápido momento achei que não fosse conseguir parir meu filho. Eu queria que ele nascesse logo, mas estava com medo. Foi quando alguém na sala falou “Chamamos o anestesista?”. Ao ouvir estas palavras, me lembrei imediatamente de qual era a minha proposta para esse parto e disse “Calma, eu não vim até aqui para isso”.

 

E então veio mais uma concentração e a parteira falou “a cabecinha tá aparecendo, você quer ver?”. Quando eu senti a cabecinha dele com a minha mão, eu senti uma força tão grande, e ele nasceu. E veio direto para o meu colo e nós comemoramos: “Meu filho, nós conseguimos!”. E o abracei com um amor tão intenso, que nunca mais consegui ficar longe dele. E ainda no meu colo, o pediatra verificou o coraçãozinho dele, e o cobriu com um paninho quente. O Arthur não chorou quando nasceu, ficou olhando para mim e eu olhando para ele, foi um encontro muito lindo. Ele nasceu 12h24.

 

Depois o pediatra trouxe a tesoura para o Marcio cortar o cordão. E foi só quando cortou o cordão que ele deu uma choradinha, e logo já grudou no meu peito e mamou muito! E só depois de uma hora é que foi pesado, medido, enfim, saiu do meu colo só depois de um tempão.

 

E na tarde deste mesmo dia, eu já estava toda animada, com muita disposição para receber algumas visitas, e amamentar, dar banho e curtir meu filho. Quanto às dores do parto, considero uma dádiva da natureza, tão sábia, que nos deixa essa certeza, de que vale muito à pena, eu faria tudo de novo. Essa é a mensagem, eu faria tudo de novo.

 

Para o pai, o objetivo deste depoimento é dar mais tranqüilidade para outros casais

 

 

Em minha opinião de pai e acompanhante de parto, o acesso às informações que tivemos foi a coisa mais importante para conseguirmos viver esta experiência tão boa como ela foi. Porque até um ano antes do nascimento do Arthur, nós não tínhamos nenhuma informação. Quando o meu irmão teve aquele parto na sala da casa dele, com banheira e tudo, nós pensamos “puxa que loucura tudo isso!”. Aquele parto completamente diferente, aquela entrega total, saímos de lá emocionados e ao mesmo tempo deslumbrados.

 

Os pais da Olívia foram muito sensíveis em nos dar o livro “Parto com Amor”. Foi esse livro que nos abriu a porta, porque foi nos sensibilizando aos poucos, de modo sutil, a cada relato que líamos. Os encontros da Casa Moara também foram fundamentais, lá recebemos muitas boas informações, sempre de forma respeitosa, principalmente esclarecendo sobre a fisiologia do parto e a importância de valorizar todos os processos do parto natural.

 

Também foi lá que aprendemos que tínhamos que buscar viver a melhor experiência que nos fosse possível. Assim, nós nos programamos e nos preparamos para um parto natural, mas sabíamos que se fosse preciso, usaríamos a tecnologia que fosse necessária.

A informação é fundamental para dar segurança e tranqüilidade: tranqüilidade para verificar o rompimento da bolsa e não sair correndo. Tranqüilidade para acompanhar todo o processo sem medo, respeitando a expressão das dores em forma de gritos – por várias horas.

 

Na nossa experiência, a segunda questão essencial foi o apoio da equipe de parto. Acho que tivemos uma equipe fantástica: doula, com suas massagens fundamentais, as parteiras e seu cuidado respeitosos, o carinho do pediatra. Eu virei militante, parto não precisa de intervenção. Eu acredito e defendo isso perante meus amigos.

 

Assim, nosso objetivo é tranquilizar outros pais, assim como os depoimentos que ouvimos na Casa Moara também nos tranquilizaram e motivaram a busca por esta experiência.

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Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara