Sábia Sophia

No início, Natalia queria um parto hospitalar sem anestesia. No final, decidiu dar à luz em casa. Um longo trabalho de parto trouxe Sophia, que chegou dentro d’água e foi amparada pelo pai. Nasceu de um jeito raro e especial: empelicada, ou seja, com a cabeça envolta na bolsa amniótica. Um sinal de boa sorte na vida!

 

 

 

Com 35 semanas de gestação, eu e Wueislly já queríamos que ela nascesse em casa. Decidimos não contar para ninguém, pois sabíamos que quanto menos pessoas no ambiente do parto, melhor. Além disso, não queríamos ter de lidar com o medo, a tensão e as recomendações de nossos familiares e amigos, nem ter que dar muitas explicações sobre todo o processo do parto domiciliar assistido.

 

Estávamos ansiosos pela chegada da Sophia. Com 37 semanas, a médica nos passou uma lista de materiais que precisaríamos para o parto. Eu, meu marido e minha mãe providenciamos tudo: testamos a banheira, planejamos o ambiente e deixamos os materiais separados. A data provável era 2 de maio, quando eu completaria 40 semanas de gestação. Apesar disso, desde a 38ª semana tudo estava estrategicamente pronto.

 

No dia 1º de maio, um domingo, acordei com algumas sensações diferentes: minha barriga ficava contraída e eu sentia cólicas e dores nas costas. Isso acontecia, em média, a cada 30 minutos. Apesar do incômodo, continuei com minhas atividades de forma moderada. Fui ver minha irmã dançar na igreja, almocei e assisti ao jogo do Corinthians.

No final da tarde, as ondas ficaram mais intensas e ocorriam a cada 15 minutos. Liguei para a doula e a médica para informar o que estava sentindo. Elas me disseram para ligar novamente quando começasse a sentir contrações a cada quatro minutos, o que aconteceu às 11 horas da noite.

 

A médica veio me avaliar e eu estava com um dedo de dilatação. As contrações já eram bastante intensas, vindo a cada três minutos e durando em média um minuto e meio. A doula ficou na minha casa para me auxiliar e a médica foi atender outro parto que deveria ocorrer primeiro que o meu.

 

Meu marido ficou ao meu lado o tempo todo. Passamos a noite contando as contrações e prestando atenção na minha respiração. Não consegui dormir, nem descansar: as ondas eram bastante fortes.

 

De manhã, eu continuava com um dedo de dilatação, havia tido algumas diarreias (o que é normal acontecer) e o trabalho de parto parecia não estar progredindo. A doula me sugeriu ficar um pouco sentada na bola de exercícios embaixo do chuveiro quente para relaxar. Era menos desconfortável assim, mas as ondas ainda estavam fortes, duradouras e com curto intervalo entre elas. Meu marido me deu um pouco de sopa de legumes no chuveiro mesmo, mas não sentia nem fome, nem sede. Só queria me concentrar nas minhas sensações para ver se a dilatação aumentava.

 

Fiquei em várias posições durante o trabalho de parto. Às duas e meia da tarde a médica me avaliou e eu estava com quase seis dedos de dilatação. Ela me fez uma massagem no colo do útero para auxiliar a dilatação, mas era bem incômodo, pois estava deitada na cama e a contração doía mais nesta posição. Estava começando a fase ativa do parto, com contrações mais intensas.

 

Entrei na banheira e até chegar aos dez centímetros de dilatação as dores foram intensas, praticamente sem descanso. Procurava relaxar, mas era difícil. Estava chegando ao meu limite. Meu corpo estava bastante cansado e o que me dava força eram os incentivos do meu marido, que dizia que estava perto, que eu estava sendo forte, que a neném iria chegar dali a pouco. Outra coisa que me ajudou bastante foi a respiração: procurei ficar focada no meu corpo, nas sensações, na bebê e em enviar oxigênio para ela e para meu ventre.

 

Queria agilizar o processo. Fiquei de cócoras, deitada de lado, apoiada no meu marido, em quatro apoios. Não prestava atenção à minha volta, parecia estar em outro mundo. Era tudo muito intenso.

 

No final da tarde comecei a sentir vontade de evacuar e de fazer força. Chegara a hora da fase expulsiva. A pediatra, a obstetriz e minha irmã Isadora, responsável por tirar as fotos, já tinham chegado. Estávamos todos aguardando a chegada de Sophia.

 

De cócoras dentro da banheira, comecei a fazer força junto com as contrações e sentia a minha bebê descer cada vez mais. Ela já estava bem encaixada, pronta para o momento tão especial do nosso primeiro encontro. Meu períneo ardia um pouco, minhas pernas começaram a ficar cansadas e a médica me sugeriu ficar de lado e segurar uma das pernas no momento da contração. Eu inspirava o ar, prendia a respiração e fazia força emitindo um som com a garganta. Dessa forma podia sentir a bebê descendo rapidamente, abrindo caminho pelo meu corpo.

 

Num determinado momento já conseguia sentir a cabeça da bebê, que ainda estava dentro da bolsa aminótica. Ela nasceria assim, bem protegida dentro da bolsa, que não se rompeu. Na contração seguinte, me enchi de força e energia, pois sabia que estava próximo o momento de ela vir ao mundo. Foi o que ocorreu. Às 18h01, meu marido Wueislly a pegou na água, a médica a tirou de dentro da bolsa e Sophia enfim veio para os meus braços. Que momento incrível, sem explicação, muito especial! Estava um pôr-do-sol lindo quando o nossa pequena nasceu. Podíamos ver pela nossa janela o sol se pondo: que presente!

 

Ela chorou pouco, um choro suave. Logo a enchemos de carinho e amor. Apertei Sophia com cuidado contra o peito e pude sentir seu coração bater, sua respiração rápida e o calor do seu corpinho. Que cheirinho delicioso, que pele macia, que cor-de-rosa lindo, que dobrinhas gostosas! Perfeitinha, enviada por Deus para o seio da nossa família.

 

Fiquei na banheira com ela por mais uns 15 minutos, meu corpo tremendo sem parar. Eu e meu marido ficamos olhando para ela, decorando cada detalhe do seu rostinho e corpinho delicado. Uns 40 minutos depois do parto meu organismo expeliu naturalmente a placenta. Fiquei espantada em ver como é grande, vermelha e pesada, rica em vasos irrigados de sangue. Logo em seguida o cordão parou de pulsar e Wueislly pôde cortá-lo.

Tomei uma injeção para evitar a perda de sangue excessiva, a Sophia foi pesada (3,315 Kg) e logo veio mamar. Primeiro ficou com o bico do seio na boca, como se fosse uma chupeta, depois pegou de verdade e começou a mamar. Já estava saindo colostro e foi maravilhoso este contato que pude ter com ela, sabendo que estava contribuindo para o fortalecimento do seu sistema imunológico.

 

A família toda foi avisada e veio conhecer a princesa. As visitas foram breves, pois precisávamos descansar. Ela mamou mais um pouco e nos deitamos os três em nossa cama, protegidos e acolhidos em nosso lar. Eu e Wueislly conseguimos dormir com a Sophia entre nós, tomando o maior cuidado para não esbarrar nela e machucá-la. Ela mamou pelo menos duas vezes durante a noite. E foi assim que iniciamos nossas vidas de papai e mamãe. Que alegria!

 

Please reload

Siga a Moara

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon

Bebês e crianças têm atividades musicais e sensoriais na Casa Moara

October 15, 2019

1/10
Please reload

Em Destaque

Leia por Tema

Posts Recentes

Please reload

Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara