"Eu pude desabafar sem ser julgada"

24/01/2013

 

 

“Quando meu filho nasceu, eu achei que daria conta de tudo com tranquilidade e alegria. Afinal, desejei muito e planejei a gravidez. Tinha um relacionamento estável, casada já há 5 anos. Tinha minha casa, a família próxima, o quartinho e o enxoval prontos. O que poderia dar errado? E, então, Miguel nasceu. Junto com ele, uma avalanche estrondosa desceu a montanha. Levou com ela tudo que eu conhecia da minha vida, todas as minhas expectativas romantizadas da maternidade, tudo que eu imaginava que era “eu”.

 

Hormônios a mil, noites em claro, emoções contraditórias, cansaço, saudades daquilo que eu conhecia antes de ser mãe. Estava feliz, é claro que eu estava. Realizada? Sim. Triste e solitária? Também. Preparada para toda a novidade que é inerente a ser mãe? Impossível. Quando o Miguel estava com uns 4 meses, conversando com uma amiga muito sensível, ela me deu o toque: procure um grupo de pós-parto. Só outras recém-mães terão a empatia que você precisa neste momento.

 

E assim, corri para a Casa Moara, e nos encontros de sexta-feira focalizados pelas queridas Dani e Maiana pude desabafar sem ser julgada. Pude dar voz às emoções contidas. Pude me identificar com outras mães e me reconhecer em suas experiências, perceber que não estava sozinha. Acredito que toda mãe, em algum nível, vive um pouco (ou bastante) dessa sombra puerperal. Um medo, em maior ou menor grau. Um desamparo, uma solidão, uma tristeza, uma saudade.
 

No mínimo, um cansaço muito grande, um torpor. A sensação de ter sido arrancada de si mesma e de encontrar no lugar algo totalmente novo e estranho, e então, ter que chamar aquilo de “eu”. Demora um tempo. Não é da noite pro dia, não. Com empatia e ajuda, fica muito mais fácil. Foi essencial ter um recanto seguro com mulheres acolhedoras para que a travessia para esse novo “eu” se tornasse mais suave. As amigas que fiz ali, levo até hoje. Agradeço pela oportunidade, pelo espaço, e por toda a ajuda carinhosa. Recomendo para toda puérpera!”

 

Carol Negraes, mãe do Miguel

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