Sem Açúcar, Com Afeto

17/04/2013

Boas informações, atenção especial com a alimentação – equilibrada e regrada –, atividade física bem indicada e, em alguns casos, uso de insulina ajudam no controle da glicemia e desfazem mitos a respeito do Diabetes Gestacional. 

 

 

 

 

Não há como determinar exatamente o que leva uma mulher a desenvolver Diabetes Gestacional ou, em termos científicos, Diabetes Mellitus Gestacional. O que sabemos é que alguns fatores aumentam o risco da doença, entre eles: a obesidade (principalmente), a idade materna avançada (acima de 35 anos), o sedentarismo, a alimentação hipercalórica, o ganho de peso excessivo durante a gravidez, a gestação múltipla, o histórico familiar e… o estresse.

Diante de fatores tão comuns em nossas vidas, fica fácil entender o aparente (e real) aumento da incidência da doença notado nos dias de hoje. Segundo o obstetra Jorge Kuhn, “não somente tem havido maior número de diagnósticos, mas também as condições da vida moderna têm contribuído para o aumento dos casos”.

A boa notícia, garantem médicos e nutricionistas, é que com um bom acompanhamento, exercícios físicos e dieta bem orientada é possível controlar o índice glicêmico e ter uma gestação saudável, sem grandes sacrifícios. Em poucos casos é necessária a administração de insulina, somente quando a dieta e os exercícios físicos não forem suficientes para o controle da glicemia.

 

Assim, é fundamental entender o que é Diabetes Gestacional. A doença se caracteriza pelo alto nível de açúcar no sangue durante a gestação, aumentando também, consequentemente, os índices de glicose levados ao bebê, que, por sua vez, tende a ganhar mais peso. Assim, no início da gestação deve-se realizar um exame para medição da glicemia em jejum – o que afastará a possibilidade de já existir diabetes antes da gravidez. Posteriormente, entre 24 e 28 semanas de gestação, repete-se o exame, que deve ser realizado após uma sobrecarga de glicose.

 

A advogada Juliana Ferreira Kozan, mãe de Beatriz, de 1 ano e 4 meses, conta que quando ouviu o diagnóstico de Diabetes Gestacional levou um susto. “Não conhecia muito bem o assunto e fiquei triste em pensar que tinha um problema que parecia ser sério”. Acalmou-se quando a sua obstetra explicou o que era a doença e enfatizou que, se controlada, não impediria o parto natural que ela buscava.

 

E é isso mesmo. A médica obstetra Andrea Campos enfatiza que, se controlado adequadamente, o Diabetes Gestacional não traz riscos e não influencia a via de parto. Para se ter uma ideia, já “durante o trabalho de parto e após o nascimento do bebê, todos os alimentos voltam a ser liberados e não há necessidade de nenhum cuidado especial”, explica. De acordo com a Dra. Andrea, ˜se bem controlado, também não há riscos nem necessidade de cuidados especiais com o recém-nascido”.

 

O controle, garante a médica, não é difícil. ˜A mulher terá que seguir uma dieta com restrição de doces, massas e outros alimentos de alto índice glicêmico e medir a glicemia, após as refeições, para assegurar o controle”. A melhor opção, segundo Dra. Andrea, “é fazer um acompanhamento com uma nutricionista, que vai ajudar a mulher a se alimentar de forma nutritiva e com alimentos de baixo índice glicêmico”. A palavra substituição define o caminho.

 

Para Juliana, o acompanhamento com uma nutricionista foi importante. “Ela me ajudou a selecionar alimentos mais adequados à dieta. Assim, comia bastante, não passei fome de jeito nenhum, só que comia as coisas certas”, conta. A principal dica, para ela, foi procurar conhecer o índice glicêmico dos alimentos. “Passei a comer mais hortaliças no almoço e jantar, pois diminuem a absorção da glicose, bem como a evitar sucos, e incluí na minha alimentação farinha de banana verde, que eu misturava ao leite”, explica. Com 40 semanas e um dia, Juliana deu à luz Beatriz, que nasceu com 3,135 kg, na água, em um emocionante parto natural hospitalar. Após o nascimento de sua filha, Juliana realizou exames de sangue para verificar a glicemia, com resultados normais.

 

 

 

A educadora Isabela Villela de Abreu Bara, mãe de Clara, de 1 anos e 10 meses, também ficou muito surpresa com o diagnóstico. “Sempre fui atleta e cuidei da minha alimentação. Demorou para cair a ficha de que eu teria que ter uma alimentação ainda mais restritiva. Como minha dieta já era saudável, cortar apenas poucas coisas não adiantava muito. Depois fui me acostumando e me motivando em manter o índice no limite aceitável”, conta Isabela, que monitorava a glicemia com aparelho medidor 3 vezes ao dia, após as principais refeições. Depois do nascimento de Clara, numa cesárea humanizada, indicada por outros fatores, Isabela repetiu os exames e “tudo voltou ao normal”, destaca.

 

De olho no futuro

 

O Diabetes Gestacional, surge durante a gravidez  e na maioria dos casos desaparece após o parto. Todavia, explica o obstetra Jorge Kuhn, “algumas vezes pode predispor ao surgimento da doença no futuro da mulher”. É também o que aponta pesquisa realizada pelo Hospital Universitário de Seul, na Coréia do Sul. O estudo acompanhou 843 mulheres diagnosticadas com Diabetes Gestacional entre 1996 e 2003. Aproximadamente 13% delas desenvolveram Diabetes tipo 2 dois meses após o nascimento do bebê e outras desenvolveram a doença num período de até três anos depois do parto, cerca de 6% ao ano. A obesidade foi o principal fator de risco associado para os dois grupos.

 

Por isso, explica Dr. Jorge, “após o parto, é importante praticar exercícios físicos, manter uma dieta saudável, preferencialmente acompanhada por um bom nutricionista ou médico nutrólogo e um bom controle da glicemia, acompanhado por um bom médico endocrinologista”.

 

Para uma alimentação saudável e tranquila

 

De acordo com a nutricionista Rachel Francischi, quando uma gestante recebe o diagnóstico de Diabetes Gestacional a primeira ideia é de que ela deve cortar o consumo de carboidratos da sua dieta. “Mas não é bem assim”, explica. Os alimentos fontes de carboidratos devem continuar fazendo parte da alimentação das gestantes. “O segredo é que nem todo carboidrato é igual para o metabolismo e existem importantes diferenças dependendo de cada alimento”, diz Rachel.

 

Os principais alimentos que devem ser evitados são os carboidratos de alto índice glicêmico, ou seja, aqueles que elevam a glicemia muito rapidamente. O índice glicêmico é uma classificação dos alimentos em função da sua capacidade em subir muito ou pouco a taxa de açúcar no sangue.

 

A nutricionista ressalta ainda que, na tentativa de controlar a glicemia, algumas gestantes fazem uma restrição muito severa na sua alimentação, podendo prejudicar assim o seu estado nutricional e a evolução da gestação. “Não são recomendadas dietas severas ou restrições calóricas. Jamais ela deve perder peso e, sim, continuar ganhando o peso esperado para cada fase gestacional”, explica.

 

É muito importante, portanto, que a gestante consiga garantir o equilíbrio nutricional, através da adequada ingestão de proteínas, gorduras essenciais, carboidratos saudáveis, fibras, vitaminas e minerais. Segundo Rachel, isso é perfeitamente possível mesmo para quem tem Diabetes Gestacional, “desde que a paciente esteja bem informada e consciente das escolhas alimentares”.

 

De acordo com a nutricionista, muitas vezes um acompanhamento individual é necessário, para avaliar e definir as necessidades nutricionais da gestante, orientar uma dieta equilibrada, adequada e saborosa, e sobretudo para “curar” os medos de comer e esclarecer muitas dúvidas e tabus alimentares, o que melhora, segundo ela, “tanto a saúde física como emocional da gestante”.


Principais dicas para controle da glicemia

 

Evitar:


Carboidratos de alto índice glicêmico, principalmente o açúcar e massas com farinha branca. Algumas frutas, como a melancia, e alguns legumes, como a cenoura e a beterraba, embora muitos saudáveis, também têm alto índice glicêmico.

 

Consumir:


Proteínas, verduras e hortaliças. Leguminosas, como os feijões, lentilhas, grão de bico e ervilhas, por terem baixo índice glicêmico podem ser consumidas. Assim como a aveia, o centeio e seus pães – sempre com moderação.

 

Combinações:


A combinação de certos nutrientes interfere no índice glicêmico. Por exemplo, numa mesma refeição, o consumo de fibras presente nas hortaliças folhosas diminui o índice glicêmico dos alimentos, ajudando num melhor controle da glicemia.

 

Atenção:


As frutas podem ser consumidas, mas é importante avaliar se as mais doces não causam um aumento da glicemia. O mesmo vale para os grãos e cereais, sempre integrais.

 

Fracionar:


É importante manter uma dieta fracionada, ou seja, comer pouca quantidade, a cada 3 horas. Em muitas situações, não é o tipo de alimento que faz a glicemia subir, mas a quantidade que é consumida. Podem ser necessárias de seis a oito pequenas refeições diárias para uma gestante com Diabetes Gestacional conseguir consumir todos os nutrientes necessários de forma equilibrada e sem descompensar a sua glicemia.

 

Cuidados especiais:


O controle da glicemia deve ser feito diariamente, duas horas após as principais refeições, com aparelho medidor. Esse controle é muito importante para a adequação da dieta, pois existe uma variação de como cada organismo reage ao consumo de determinados alimentos. Por exemplo, para algumas pessoas as massas, mesmo as integrais, elevam muito a glicemia, enquanto que para outras é possível consumir uma pequena quantidade de chocolate amargo sem grandes alterações.

 

Movimente-se:


A prática de atividades físicas, principalmente aeróbicas, é muito importante para auxiliar no controle do Diabetes Gestacional – consulte seu médico para saber qual a melhor atividade para você.

 

Informações da nutricionista Rachel Francischi e da parteira e obstetriz Marcia Koiffman.

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