O medo e a dor - relato sobre a dor do parto

19/07/2013

Um depoimento honesto e intenso. Depois de se desesperar e enfrentar a dor do parto com muita intensidade, Ana Lígia concluiu: “posso dizer com segurança que não há razão para ter medo da dor”.

 

 

A cada contração eu subia um degrau e pulava. E cada pulo marcava a intensidade da dor. Subi uma escada progressiva que ia se inclinando e ficando mais difícil a cada contração. No começo, eu pulava poucos degraus e ia conseguindo lidar com isso da melhor forma possível.

Ana Lígia Soares, 27 anos, produtora, mãe da Ana Clara de 5 meses, conta que a maior dificuldade veio quando chegou ao fim dessa escada. “Precisava pular e subir de novo esses degraus, mais inclinados e intensos. Eu queria desistir, só que não podia. Queria que tudo parasse, que o trabalho de parto parasse. Cheguei num ponto em que eu não sabia mais nem que eu estava em trabalho de parto, tanta foi a dor. Até hoje eu não sei como eu consegui e posso dizer que foi desesperador até o momento do expulsivo.”

Hoje, ela acredita que não se sabe o que é realmente sentir dor até passar pela dor do parto. “Meu problema pessoal foi esquecer que toda essa dor era PELO parto. Eu esqueci que estava chegando a minha filha e me concentrei na dor como um evento negativo, pois não parecia ter saída nem fim”, relembra. Ana Lígia conta que, durante o trabalho de parto, perdeu a noção de tudo. Esse pior período durou aproximadamente 3 horas. “Para mim pareceu um dia inteiro, um dia de dor, um dia com medo da dor “. O medo foi fator determinante. “O medo aumenta conforme a dor aumenta. É um sentimento mútuo, se você não souber lidar com a dor. Eu não soube. O meu maior medo antes do parto era dessa desconhecida dor”, relembra.

 

Conforme o trabalho de parto avançava, ela sentia mais medo. “Esse medo te congela, te desestabiliza. Cheguei a ficar desesperada em muitos momentos. Se não fosse pela minha doula ali ao lado me trazendo de volta dessa escuridão, me olhando nos olhos e me chamando, eu não sei se teria conseguido, tal era o meu nível de nervosismo e medo”, conta.

 

A doula foi, “definitivamente”, o que mais a ajudou a superar a dor. “Sem ela eu não ia conseguir. Era ela que segurava a minha mão, que me chamava, que me trazia de volta para a realidade do parto, porque no momento do desespero nós esquecemos porque estamos ali. O propósito da dor precisa ser lembrado se você se perder”, destaca.

Ainda assim diz que passaria por tudo novamente, mas de uma forma diferente. “Com tudo isso que eu passei, espero realmente entender, no meu próximo momento, que a dor simplesmente para de existir para dar lugar ao maior momento que uma mulher pode ter e, assim, encarar a dor de uma forma mais positiva”, diz.

 

Na gravidez, Ana Lígia ouviu e leu muitos relatos de parto, “mas nenhum sobre como essa dor poderia te dominar a ponto de você preferir simplesmente não estar mais ali”. Ela considera importante ter a dimensão da intensidade da dor. “Espero que, assim, eu possa ajudar muitas mulheres a passar por esse evento transformador sem medo, já que hoje, depois de tudo isso, eu posso dizer com segurança que não há razão para ter medo da dor”.

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