A exaustão e a dor - relato sobre a dor do parto

25/07/2013

Após 48 horas em trabalho de parto em casa, Cristina transferiu-se para o hospital, pediu analgesia e pariu sentindo-se fortalecida e bem disposta para receber sua filha.

 

Após duas noites de contrações, sem dormir, na sequência de uma semana de sono inquieto com a expectativa do parto, a turismóloga Cristina Pinto Lima, 32 anos, mãe da Joana de apenas 40 dias, conta que a experiência com a dor do parto foi “exaustiva”. Era sua primeira gravidez, cercada de muita ansiedade. “A dor é bem relativa. Nas primeiras contrações, o processo é tranquilo, mas depois de mais de 48 horas de idas e vindas das contrações, não me aguentava mais em pé”, conta.

 

Cristina planejou um parto domiciliar. “Uma equipe linda estava me acompanhando. Eu estava serena, me sentindo segura e muito bem assistida. Mas a exaustão foi maior que a dor e quando me informaram que eu seguiria para mais noite de contrações optei pelo hospital”, conta.

 

A transferência foi feita, segundo ela, com “muita calma e consciência”. Ao chegar ao hospital, foi necessário o uso de ocitocina (sintética) para “engrenar” o trabalho de parto. “Neste ponto, o cansaço aliado com a dor já estava insuportável para mim. Fui para banheira na expectativa de alívio, mas eu já temia a próxima contração. Não conseguia me desligar para que tudo fluísse. Estava tensa, pensando sempre na próxima pontada de dor, quantas contrações mais eu teria. Pedi a analgesia, implorei!”, relata.

Quando chegou ao hospital, Cristina já estava com aproximadamente 6 cm de dilatação. No momento da analgesia, cerca de 9 cm. “Minha parteira comentou já estar sentindo a cabecinha. Mesmo assim, segui firme com a decisão de tomar a anestesia, estava cansada realmente”.

 

A experiência, para ela, foi muito positiva. “Sem arrependimento, me senti outra pessoa, uma nova mulher, animada, sorri no momento do parto, super consciente, feliz e recebi minha pequena com muito amor. Não tive o ritual da passagem, mas o fato de eu estar me sentindo bem foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Fui até meu limite, talvez aguentasse mais a dor, mas tenho certeza de que foi o limite do meu cansaço físico e mental”. Para Cristina, “ter a pequena nos braços, força e animo para a primeira noite junto dela, bem disposta, foi mágico”.

 

Ela descreve a dor como uma forte pontada. “Como uma cólica muito intensa que se estende até a lombar. A dor pontual é suportável, mas a sequência das contrações intermináveis torna mais sofrido e dolorido, intensifica a dor”, acredita. Outro fator que intensificou a sensação, foi a “tensão e expectativa do parto – o famoso medo”. Segundo Cristina, o medo, consciente ou não, intensifica todo o trabalho de parto. “Quanto mais medo, mais difícil de nos desligarmos, de nos desconectarmos da realidade para deixar o corpo trabalhar naturalmente”, destaca.

 

 

 

Apesar de toda a intensidade da experiência vivida, Cristina não tem dúvidas de que passaria por tudo novamente. E diz que “tentaria o parto domiciliar, sem a anestesia”. “Cada parto é único, quem sabe no próximo eu esteja mais descansada para aguentar a dor por mais tempo. Mas sem receio de, se necessário, pedir pela analgesia”, ressalta.

 

Para enfrentar a dor, de acordo com Cristina, foi essencial o apoio e o carisma da equipe. “Duas doulas queridas (uma a acompanhou em casa e outra no hospital), que ajudaram com massagens, respiração e apoio psicológico; minha parteira, sem ela não aguentaria, pois estava otimista ao meu lado, junto com a obstetra, que me passava total segurança e tranquilidade; e, principalmente, meu marido, sempre me apoiando e segurando minha mão nos momentos mais difíceis”, destacou.

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