A dor do parto

26/07/2013

Cercada de fantasia e incerteza, a dor do parto é temida – como tudo aquilo que é desconhecido. Na experiência de duas mães, Cristina e Ana Lígia, o cansaço e o medo se tornaram desafios maiores que a dor.

 

 

Ainda nos dias de hoje, um universo de incertezas e medos cerca as mulheres quando se fala na dor do parto. Na busca por uma vida plena de prazer e satisfação, sem sacrifício, sem dor, anestesiada e medicalizada, por mais natural que seja, essa dor é vista com insegurança e até como castigo. Uma visão absolutamente cultural – é o que garante a enfermeira obstétrica e parteira, Priscila Colacioppo. “Na cultura ocidental somos intolerantes à dor. No século XXI, então, há tolerância zero à dor”. E Priscila explica que a dor do parto não é patológica. “É fisiológica”, destaca.

 

Fisiologicamente, portanto, está relacionada às contrações uterinas ritmadas que caracterizam o trabalho de parto. Pode-se dizer que se assemelha a uma cólica intensa, sentida em ondas, que enrijece (contrai) a barriga e, em geral, irradia para as costas. As contrações têm duração variável, costumam começar espaçadas e curtas, intensificando-se em ritmo e duração à medida que avança o trabalho de parto e, assim, a dilatação do colo do útero. Tudo graças à ação de um hormônio chamado ocitocina.

 

A ocitocina é responsável por ativar e manter as contrações que caracterizam o trabalho de parto. Produzida naturalmente pelo organismo, pode ser aplicada sinteticamente em casos de indução de parto ou parada de progressão – sob indicações muito específicas.

É durante as contrações que acontece a dor, que, dizem, está também “entre as orelhas”. A expressão (que dá título ao excelente livro do obstetra Ricardo Herbert Jones) foi citada pela parteira Priscila no Encontro de Gestantes da Casa Moara, realizado no dia 19 de junho, que teve como tema: “O Alívio da dor no parto: métodos naturais e não farmacológicos”. Na ocasião, dezenas de gestantes e casais buscavam entender e desvendar os mitos e as verdades da temida dor do parto.

 

O certo é que não há como defini-la de maneira absoluta. Diz-se que sua percepção é cultural, relativa, diferente para cada mulher, única, intensa, avassaladora, transformadora, viciante, sofrida, orgásmica. Se há uma unanimidade é de que ela é incomparável. Uma sensação difícil de explicar, que acaba no exato instante em que o bebê vem ao mundo, e passa, relatam, como mágica.

 

A desmistificação dessa dor parece fundamental a quem está disposta a conhecê-la e enfrentá-la de frente. Domar o boi pelos chifres, como se diz, é um bom termo. Cercada de fantasia e incerteza, a dor do parto é temida – como tudo aquilo que é desconhecido.

Superar o relativo terrorismo que envolve essa questão, potencializado em nossa cultura, é um dos principais desafios das gestantes que buscam um parto normal. Para isso, é importante conhecer experiências, lançar mão de todas as possibilidades de apoio para o momento, conhecendo prós e contras, e se entregar a esse desafio.

 

O cansaço e o medo costumam se colocar neste horizonte. Por isso, lidar com essas questões de uma maneira franca e atenta torna-se essencial para uma boa experiência de parto. Para Cristina Pinto Lima, o grande desafio foi a superação do cansaço físico e mental, após 48 horas de expectativa – entre pródromos (contrações de treinamento) e o trabalho de parto efetivo. A exaustão levou-a a uma transferência do planejado parto domiciliar para o hospital. Lá a analgesia, bem indicada, permitiu que recebesse sua filha Joana com disposição e alegria.

 

Leia aqui o relato de Cristina.

 

Na experiência de parto de Ana Lígia Soares, ela conheceu o medo. Sucumbiu e renasceu, junto com a pequena Ana Clara. Sua percepção da dor foi muito intensa e em alguns momentos desesperadora, relata. Ela atribui essa sensação ao medo e a dificuldade de se entregar ao processo. Após a superação, veio a certeza de que não há o que temer.

 

Leia aqui o relato de Ana Lígia Soares.

 

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