"Acolhimento, era isso que faltava"

26/07/2013

 

“Durante toda a gravidez eu me preparei para o nascimento do Antônio. Preparei o quartinho dos sonhos, fiz um enxoval cheio de roupinhas lindas, tinha uma planilha com check list de tudo que eu precisava. Realmente eu pensava que isso era se preparar para a chegada de um bebê. Li alguns livros da moda sobre maternidade e de certa forma não me identificava, mas seguia lendo e achando que uma hora ia achar tudo aquilo familiar. O tempo foi passando, a ansiedade crescendo e, depois de uma frustrante cesariana, o Antônio nasceu. De repente as descobertas começaram.

 

Percebi que amamentar é mais difícil do que imaginava, que o bebê e a mãe precisam aprender a dinâmica, que o peito enche, que dói e que você não tem um contador para saber se o bebê está mamando bem ou não. Descobri que a privação do sono enlouquece qualquer ser humano e que os hormônios transformam a mais forte das mulheres em um bichinho frágil e acuado. Passei a me sentir errada e perdida. Não gostava de vê-lo chorando, não entendia porque ele chorava tanto e dormia tão pouco. Ele crescia, ganhava recheio, o pediatra elogiava e eu continuava com a sensação de estar fazendo tudo errado. Solidão. O pós-parto é solidão. Mesmo com um bebê plugado no peito 24 horas por dia eu me sentia o mais solitário dos seres.

 

Com a família e amigos em Minas, marido trabalhando o dia todo, vivia em uma bolha. A cabeça acostumada a trabalhar 10 horas por dia estava ociosa e perdida, o trabalho era físico e emocional, nada prático, não combinava com as minhas planilhas de Excel. Tinha que me movimentar, sair de casa. Foi assim que em uma sexta-feira peguei um taxi com o bebê no sling e fui para um encontro de Pós-parto na Casa Moara. E me encontrei. O rosto de cada mãe e seus bebês, todas com dúvidas, inseguranças e incertezas. Poxa, estamos no mesmo barco! Acolhimento, era isso que faltava.

 

O olhar da Dani e da Maiana, sempre cuidadoso, sempre cheio de empatia e amor. As questões surgiam, as conversas fluíam e o turbilhão ia se acalmando. As mudanças físicas e psíquicas do pós-parto são fortes e, vividas em conjunto, ficam mais leves e naturais. Chegamos no grupo com meu Tom com 40 dias, saímos já com 7 meses. Mesmo com a volta ao trabalho achava um tempinho para fugir, ir lá bater um papo, ouvir, deixar as ideias fluírem. Falar e escutar, movimentos super importantes na construção de uma nova realidade. Descobri que pós-parto é morte e renascimento, um processo complexo que pode ser muito mais leve com uma rede de apoio.

 

E nada melhor do que o olhar de quem entende o processo ou de quem está vivendo o mesmo momento que você. O grupo me ajudou na construção da minha maternidade, nas minhas escolhas. Ainda tenho dúvidas, ainda acho que erro, mas tudo bem. Esse processo é natural de todas as mães e é ele que torna tão rica a construção de uma nova relação. Muito obrigada, Dani e Maiana, muito obrigada minhas companheiras de grupo, vocês são peça fundamental na minha história com o Antônio”.

 

Luísa, mãe do Antônio, 9 meses. 

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