"Não conseguia falar sem chorar"

23/08/2013

 

“Ninguém pode dizer que não fiz minha lição de casa. Durante a gravidez cuidei da alimentação e do corpo, li muitos livros, busquei uma equipe humanizada, fui a encontros de gestantes, fiz curso de parto, amamentação. Tudo isso curtindo muito a entrada neste novo mundo da maternidade. Mas nestes assuntos as coisas não são assim tão racionais e objetivas. Com 35 semanas a bolsa estourou, e ainda faltava arrumar tantas coisas! Meu parto foi induzido, cheio de intervenções, todas necessárias, e acabei tendo que fazer uma cesariana (bem indicada).

 

Joana precisou ficar uma semana na UTI e neste processo não conseguimos engatar a amamentação. Quando finalmente estávamos todos em casa um misto de felicidade e desespero. A maternidade real era bem mais difícil que a dos livros e cursos! De repente, tudo parece estar errado. Eram tantas opções do que fazer, como escolher qual a melhor para mim e para minha filha?

 

Joana foi introduzida à formula e mamadeiras no hospital e a partir daí tivemos muitas dificuldades para seguir com amamentação, foram sessões de fonoaudióloga, bombinha de leite, mamadeiras especiais, re-lactador. Nossa como estava sendo complicado. Todo o processo me deixava muito cansada. E minha vida, meu tempo, minhas coisas, não me pertenciam mais. Tomar um banho com calma, um luxo quase inimaginável. A privação de sono me deixava tão cansada e desanimada que a ida ao pediatra se tornava um esforço penoso. Sentia-me assustada e frustrada.

 

Principalmente, porque tinha como certo que amamentaria exclusivamente e que passearia com a Joana de sling no parque todos os dias. Lembro-me com muita clareza do meu primeiro dia no grupo de Pós-parto na Casa Moara. Estava quieta, parecia um bichinho acuado.  Não conseguia falar sem chorar e neste dia encontrei muito acolhimento e palavras amorosas das outras mães e das terapeutas de que tudo ia melhorar. Vi outras mães com bebês um pouco maiores que a Joana tão felizes e à vontade, trocando dicas e experiências, falando sobre questões que estavam passando.

 

E foi assim ao longo dos demais encontros. Estas trocas foram me deixando mais à vontade. Sair de casa às sextas-feiras à tarde deixou de ser uma viagem penosa, onde tinha que ficar pensando em arrumar bolsa, bebê conforto, carrinho, carro… Isto foi se tornando um grande prazer. Assim como todas as minhas rotinas foram se tornando mais naturais e prazerosas. O grupo me ajudou muito a aceitar mais este lado instintivo e “incontrolável” da maternidade. A aceitar que daqui pra frente estaremos todo tempo com dúvidas e escolhas a nossa frente. Talvez seja por isso que é tão bom e que nos proporcione tanto aprendizado!

 

Aceitei e acolhi que estava sendo um esforço muito grande para mim seguir lutando pela amamentação exclusiva. Depois disso, tudo fluiu melhor. Achamos um modelo que era “quase exclusivo”, com complementos providenciais ajudados pelo pai uma vez por dia, que me davam um descanso merecido. E foi neste nosso modelo adaptado que tudo seguiu melhor. Joana mama até hoje, aos 11 meses. Obrigado às terapeutas da Casa Moara e às incríveis mães e nossos encontros maravilhosos!”.

 

Patrícia, mãe da Joana, 11 meses. 

Please reload

Siga a Moara

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon

Disciplina positiva; o que é e como colocar em prática?

November 12, 2019

1/10
Please reload

Em Destaque

Leia por Tema

Posts Recentes

Please reload

Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara