“Orientação adequada é fundamental para o sucesso do aleitamento materno”

 

 

A gravidez de meu segundo filho, Davi, foi uma experiência muito intensa. Engravidei mais de oito anos após o nascimento de Luisa e foi surpreendente viver de novo os vários momentos da gestação, agora sabendo o que era ser mãe.

 

Aos poucos, fui percebendo que essa nova oportunidade de gerar uma vida também significava uma chance de superar algumas experiências que vivera anos antes. Foi assim com o parto e com a amamentação.

 

Embora realmente desejasse o parto normal (e até humanizado, de que tinha pouca informação), Luisa nasceu de cesárea, indicada após a bolsa romper com mecônio. O sonho de amamentar minha filha, embora parcialmente realizado, foi permeado por alguns percalços e por vários sentimentos de frustração, que eu precisava superar.

 

Na época, não tive a orientação apropriada dos profissionais que me atenderam e, aos três meses de Luisa, a pediatra me deu um ultimato: se, em dois dias, ela não atingisse determinado peso, eu teria que complementar o leite materno com fórmula. E ela foi logo avisando que, com a mamadeira, Luisa iria desmamar.

 

Nos dois dias seguintes, dediquei-me a amamentar minha pequena como se fosse um caso de vida ou morte. E ela parece ter entendido, pois mamava dia e noite, como se pudesse “salvar” sua mãe.

 

A sentença, no entanto, já estava dada. Dois dias depois, entrei com o complemento. Mas, ao contrário do estigma apregoado por aquela médica (que troquei logo em seguida), segui amamentando até quase os dez meses de Luisa. Ela nunca abandonou o peito, mesmo usando mamadeira, que era sempre dada por mim, após a mamada.

 

Embora a amamentação de Luisa tenha sido um marco na construção de nossa relação mãe e filha, eu queria mais: sonhava com outra chance, especialmente de amamentar exclusivamente o bebê até os seis meses de idade.

 

Essa possibilidade somente pôde se materializar porque buscamos a humanização do parto e do nascimento de nosso filho, trocando de equipe médica no final da gestação, após frequentarmos (eu, meu marido Alexandre e Luisa) alguns encontros de gestantes da Casa Moara.

 

Pouco depois, Davi nasceu de 38 semanas, em um parto normal humanizado. A mais intensa e indescritível felicidade foi tê-lo em meus braços logo após o nascimento e poder amamentá-lo por mais de uma hora, sem pressa, sem protocolos. Ficamos ali perdidos um no olhar do outro, nos reconhecendo, num momento inesquecível de minha vida, simplesmente divino.

 

Mas, depois daquela sensação mágica, também tivemos nossos momentos de dificuldade, especialmente no início. Fissuras, peito empedrado, cansaço. Pequenos problemas que foram sendo superados aos poucos, com o apoio e a orientação da minha querida doula Daniela Andretto, que é especialista em amamentação.

 

Mas o maior desafio, aquele que colocaria meu sonho em risco, viria um pouco mais tarde, aos três meses de Davi (uma coincidência!). Realizando exames de rotina, descobri que o hipertireoidismo que eu havia desenvolvido um ano antes da gravidez, havia voltado inesperadamente. Em consulta, a endocrinologista alertou-me que, com o uso da medicação, eu não poderia mais amamentar, pois a dose elevada do remédio afetaria a tireoide de Davi, bloqueando seu funcionamento.

 

Apesar de toda a confiança depositada em minha médica, não podia acatar sua recomendação sem ao menos ouvir outra opinião. Pedi a orientação do pediatra de meu filho, que, baseado em literatura médica atualizada, endossou a segurança da amamentação. Foram vários meses de uso do medicamento até que a função tireoidiana fosse controlada, sem qualquer alteração na tireoide do bebê.

 

Antes que Davi completasse seis meses, vivenciei outras situações de medo e de preocupação com uma suposta diminuição do leite, como se eu estivesse fadada ao insucesso da amamentação exclusiva. A superação veio com paciência, persistência e muita conversa com as queridas amigas do grupo de pós-parto, que me ajudaram a vencer esses obstáculos.

 

Hoje Davi está com um ano e um mês e, ao contrário do que eu imaginava, ainda mama no peito (só no peito). E muito! A primeira dentição, minha volta ao trabalho, a pressão social, as críticas familiares, enfim nenhum dos mitos que envolvem o ato de amamentar foi capaz de nos atrapalhar nesse instante único.

 

Aprendi nesses episódios que, além do desejo da mãe, a orientação adequada de profissionais especializados (e dedicados ao atendimento humanizado) é fundamental para o sucesso do aleitamento materno. Porém, mais do que isso, a construção de uma rede de apoio, formada por mulheres que vivenciam uma fase semelhante, a exemplo dos grupos de pós-parto, é imprescindível para que esse momento tão delicado da vida de uma mãe possa ser ainda mais enriquecedor.

 

Finalmente, também é indispensável o papel do pai, como companheiro e parceiro, nessa fase inicial da vida do bebê. Sem a participação intensa e o incentivo do Alexandre tudo teria sido muito mais difícil.

 

Amamentar é amar, é materializar esse sentimento tão sublime, é ser mãe em plenitude. Eu e Davi ainda queremos curtir muito esses momentos mágicos de puro prazer!

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