Cuidados simples e informação protegem contra Zica vírus

16/02/2016

Grávidas e mães que amamentam estão enfrentando um momento de incerteza e apreensão diante dos recentes e preocupantes casos de microcefalia associados à contaminação pelo vírus Zica – transmitido pela picada do mesmo inseto da dengue, o Aedes aegypti.

 

 

 

O Zika foi identificado pela primeira vez no Brasil em maio de 2015 e preocupa já que mais de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas, que são manchas vermelhas pelo corpo, febre baixa, coceira leve a intensa e vermelhidão nos olhos. O teste para a confirmação da contaminação deve ser feito, de preferência, nos primeiros cinco dias de manifestação dos sintomas, porém é bastante restrito e caro. Assim como no caso da dengue, não há um tratamento específico. Os sintomas são tratados com remédios para dor e febre e somem em sete dias, em média.

Segundo o mais recente Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde foram registrados 2.401 casos de microcefalia e 29 óbitos até dezembro de 2015. O informe divulgado detalha, pela primeira vez, os primeiros casos confirmados (134) e descartados (102). Do total de suspeitos notificados, continuam em investigação 2.165 casos.

 

O que é microcefalia?
A microcefalia é uma malformação congênita que faz com que o cérebro não se desenvolva da maneira adequada. A relação entre o Zica vírus e o surto de microcefalia foi confirmada no mês de novembro, acendendo o alerta vermelho para uma situação inédita na pesquisa científica mundial.

Vale destacar, entretanto, que nem todo tipo de constatação de perímetro cefálico pequeno é motivo para preocupação. Segundo o médico, Alan Hatanaka, “o importante é avaliar se o cérebro é normal ou não. Isto pode ser feito através da ultrassonografia no terceiro trimestre”. Ele explica que a microcefalia é resultado de graves malformações cerebrais. “Podemos citar a destruição do tecido cerebral, calcificações e hidrocefalia. Estas lesões resultam num menor tamanho do cérebro e, por consequência, ocorre a microcefalia”.

 

Diante da epidemia, o médico acredita que além da ultrassonografia morfológica de primeiro e segundo trimestres, a realização de uma ultrassonografia morfológica no terceiro trimestre é importante. “Ela poderá avaliar eventuais alterações no feto”, diz.

 

Risco de contaminação em gestantes
As gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram sintomas do vírus Zika no primeiro trimestre da gravidez. Mas o cuidado para não entrar em contato com o mosquito deve ser para todo o período da gestação.

 

É fundamental combater os criadouros e se proteger com o uso de repelentes, mantendo portas e janelas fechadas ou instalando com telas e usando blusas e calças compridas. Entre as recomendações do Ministério da Saúde para as gestantes estão:

 

- realização de um pré-natal completo;

- reforço das medidas para prevenir a picada do mosquito;

- não consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas;

- não utilizar medicamentos sem orientação médica;

- evitar contato com pessoas com febre, manchas vermelhas ou infecções;

- proteger-se de mosquitos.

 

Segundo a obstetra Andrea Campos, não há indicação de que as mulheres evitem a gravidez neste momento por conta do risco de contaminação. “Essa é uma escolha pessoal e ainda não temos nenhuma recomendação oficial nesse sentido. O alerta geral é para que sejam tomados todos os cuidados necessários para a prevenção”, pondera.

 

Quem amamenta também corre risco?
Segundo informações divulgadas pela IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar), não há qualquer evidência epidemiológica da transmissão pelo leite materno. “Nota-se que nas regiões endêmicas, os estudos mostram que as crianças amamentadas estão mais protegidas da dengue, febre amarela, chikungunya e encefalites do que as crianças não amamentadas. Além disso, é preciso lembrar da conhecida proteção que a amamentação confere contra muitas outras doenças”, divulgou em nota.

 

O pediatra neonatologista Douglas Nóbrega Gomes afirma que, “segundo publicação do CDC (Centers of Disease Control anda Prevention), até agora não há evidências da transmissão do Zica pelo leite materno e os benefícios associados à amamentação são invariavelmente maiores. Por isso, recomendamos a manutenção do aleitamento.”

Uso de repelentes


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que não há impedimento para a utilização de repelentes por mulheres grávidas, desde que estejam devidamente registrados e sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo de cada produto. Eles também alertam que os inseticidas “naturais” à base de citronela, andiroba e óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação pela Anvisa. Nesse mesmo sentido, ainda não há medicamentos aprovados com a finalidade de repelir insetos. Portanto, a Vitamina B ou Tiamina não apresenta eficácia comprovada como repelente.

 

Como eliminar criadouros do Aedes aegypti
O combate ao mosquito Aedes aegypti é fundamental para o controle do surto de microcefalia. Para isso, é importante realizar vistoria periódica nas residências, tanto dentro da casa quanto em quintais, para eliminar recipientes (pratinhos com vasos de plantas, lixeiras, baldes, ralos, calhas, garrafas, pneus e até brinquedos) que possam acumular água parada e manter-se vigilante quanto à limpeza do seu bairro. Se identificado acúmulo de lixo ou entulho, ou qualquer recipiente com a larva do mosquito, é recomendado que seja feita denúncia aos Conselhos de Saúde.

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