Por uma maternidade livre, prazerosa e essencialmente única

22/01/2013

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, um pai e uma nova família. Nesta reportagem, compilamos as principais questões que impactam as mulheres no pós-parto. Confira depoimentos de três mães, e algumas das possibilidades para vivenciar este processo da melhor maneira, ou seja, a sua!

 

 

 

A chegada de um filho é sempre uma história que começa bem antes da descoberta da gravidez, é resultado do encontro de duas vidas, também é prenúncio da formação de uma nova família.

 

Apesar da grande variedade de situações possíveis, as histórias desta “nova vida” passam por algumas características marcantes. São pontos essenciais que influenciam e determinam todas as experiências de maternidade: a saúde física e mental da mãe e do bebê, os sentimentos sobre o parto ou a adoção, questões que envolvem a nutrição e cuidados com o bebê, a disponibilidade para desempenhar a função materna, a qualidade do apoio que recebemos do parceiro, familiares, amigos e profissionais de saúde.

Junto de sua mãe Liana, Suzaninha participou dos encontros do Grupo de Pós-parto, dos 04 meses até seu primeiro aniversário

 

Nos primeiros dias após o parto, superar o cansaço, recuperar-se fisicamente e ainda estabelecer a alimentação (amamentação ou fórmula infantil), podem se tornar tarefas desafiantes. Depois disso, os primeiros meses do bebê são marcados por uma série de outros temas. Será preciso estabelecer um vínculo saudável com a criança, adequar a rotina à nova vida e à falta de sono. Por fim, questões emocionais ainda ocupam boa parte das preocupações dos novos pais: um ideal de maternidade a ser cumprido, sentimentos de solidão, o relacionamento afetivo entre os pais, e satisfação pessoal ou profissional.

 

Pesquisas indicam que deixar o tempo passar, ou apenas reproduzir tudo aquilo que já aprendemos um dia, parece não ser a melhor forma de viver os primeiros anos dos filhos. Novas questões continuam surgindo a todo momento. Para um bebê, é muito melhor quando os pais mantêm um relacionamento com respeito, afeto e disposição para uma divisão do trabalho. Também se beneficiam quando os pais buscam compreender as características do desenvolvimento infantil. Por fim, é essencial para o bebê que a família proporcione um padrão de rotina que favoreça sua inclusão nas mais diversas atividades, considerando a importância, nestes primeiros meses, do respeito ao ritmo do bebê.

 

O puerpério é uma fase que, quando partilhado com outras mulheres e famílias vivendo a mesma etapa da vida, traz o benefício da troca de experiências e de uma rede social de apoio. Mais uma vez, é recomendável que mães e pais conheçam as diferentes possibilidades de cuidados, para que então se sintam seguros e confortáveis com as decisões tomadas.

 

Nesta reportagem, reunimos algumas das questões mais desafiadoras para quem está com bebê pequeno em casa. Embora a intuição seja muito importante para descobrir-se mãe ou pai e tomar consciência das dificuldades individuais, cuidar de um bebê requer habilidades práticas, que demandam tempo e conhecimento. Além disso, companheiros nesta jornada devem cuidar uns dos outros, da casa, dos planos e expectativas para a nova família que cresce, única.

 

Ao final, compartilhamos três depoimentos de mães que relatam as experiências que tiveram com a chegada do filho, e sobre como foi importante sua participação nos grupos de apoio ao pós-parto oferecidos pela Casa Moara. Você poderá conferir, ainda, as atividades especiais que a Casa Moara oferece para o pós-parto. E alguns efeitos produzidos por esses grupos. Histórias para nos inspirar e fortalecer os sentidos que a maternidade e a paternidade produzem para cada um de nós.

 

 

 

Compreensão do bebê

 

1- Cada bebê é diferente

Cada bebê tem um temperamento individual, com muitas características que variam ao longo da idade. Às vezes, bebês mais calmos são considerados ‘bons’, e aqueles que são mais difíceis de cuidar são taxados de ‘maus’. Bebês não são ‘bons’ nem ‘maus’, eles são eles mesmos – isso é muito importante. Tão importante que é recomendável aos pais que busquem conhecer a fundo “o jeitinho” de seus filhos. Desta forma, é possível aprender diferentes cuidados para responder de forma efetiva às diferentes situações.

 

2- Rotina comer-brincar-dormir

Bebês que dormiram bem, se alimentar melhor e sugam com mais eficiência. As brincadeiras são importantes para o desenvolvimento físico e mental dos bebês. Até mesmo os bebês pequenos podem ficar algum tempo sozinhos no chão, eles se esticam, contemplam o redor. Outras atividades podem ser massagem, caminhadas e o banho – o banho de balde é uma ótima oportunidade para relaxamento e diversão.

 

3- Acalmando seu bebê e promovendo sono o suficiente

Tão importante quanto a nutrição do bebê, é o seu sono. Enquanto dormem, os bebês descansam, crescem e se desenvolvem. Os bebês se beneficiam de “rituais” (por ex. luz mais fraca, canto de ninar entre outros) às quais consigam associar com relaxamento e descanso. Antes do sono, estabeleça uma rotina simples de ser realizada – dentro e fora de casa –, e que seja confortável para você e seu bebê. Pode ser a amamentação, um banho seguido de aconchego, o colo da mãe ou pai.

 

 

 

 Compreensão da nova família que se forma

 

1- Quais eram nossas expectativas?

A chegada dos filhos acarreta mudanças permanentes na vida dos pais, é realmente muito difícil saber como elas serão de fato. É comum criarmos expectativas de felicidade e prazer frente ao início da relação com o bebê. Comparar e adaptar-se à realidade dos fatos com as expectativas anteriores pode ser bastante proveitoso – as diferenças ou decepções podem fornecer pistas sobre como podemos melhorar a situação. Por exemplo, se uma mãe está se sentindo mais solitária do que imaginava que ficaria, uma boa saída pode estar no encontro com outras mães, com famílias que também tenham filhos pequenos em casa. Ainda é possível dar-se conta de que algumas das expectativas provêm das experiências que temos com nossas famílias de origem, e conversar com o parceiro sobre estes temas ou com alguém quem se sinta à vontade, pode ser uma boa alternativa!

 

2- Liberdade de Expressão

Independentemente da história de parto, é comum as mulheres sentirem vontade de falar sobre os sentimentos e sensações acerca desta experiência. Podem surgir sentimentos como de alegria, tristeza, euforia, medos, entre tantos… É muito importante ser escutada com paciência e empatia, receber apoio e encorajamento quando há a necessidade pela partilha desta experiência e destes sentimentos.

 

3- Perdas e ganhos

Em geral, as pessoas imaginam que os bebês vão trazer só alegria e prazer, porém dificuldades podem aparecer e adaptações serão necessárias. Um diálogo franco com si mesma, ou entre o casal, pode facilitar a reorganização das prioridades, além de ajudar a identificar o que é singular na experiência da maternidade/paternidade.

 

4- Jornada de trabalho dos pais

Com a chegada dos filhos, a execução de algumas tarefas pode tornar-se mais difícil ou demandar mais tempo para sua finalização. O acúmulo e sobrepeso de tarefas domésticas pode ser um ponto de tensão entre o casal. É importante conseguir tomar decisões sobre as responsabilidades de cada um, almejando um acordo que seja confortável para ambas as partes. São circunstâncias que ainda precisarão ser revisitadas em muitos outros momentos da vida familiar.

 

5- As famílias de origem

Pessoas são influenciadas pelos valores de sua família de origem. Quais os aspectos de sua criação que você deseja repetir ou abandonar? Quando um casal tem um bebê, torna-se importante conversar sobre este tema. Cada um desses valores influencia os planos e desejos que os casais têm para a família que estão formando. Os bebês se beneficiam quando os pais conseguem conversar sobre as diferenças de forma respeitosa, quando ajustam suas expectativas para a família única que estão criando, e assim, criam novos modelos para sua atual realidade.

 

6- Família monoparental

Existem muitos motivos pelos quais uma pessoa pode estar sozinha, criando um novo bebê. Não importa a idade, uma gravidez inesperada pode surgir, assim como é possível ser solteira e querer ter um filho, ou ainda, quando os casais se separam, um deles adoece ou trabalha em outra localidade. A ausência pode ser temporária ou permanente. Em geral, pessoas que cuidam de bebês sozinhas experimentam sentimentos muito mais evidentes de cansaço, solidão, incerteza ou preocupação. Em todo caso, será preciso se organizar melhor para buscar alternativas de ajuda como: encontrar pessoas de sua confiança que possam oferecer apoio aos cuidados com o bebê, para que seja possível obter momentos para si mesma, de descanso ou lazer com os amigos.

 

7- Ajuda e apoio

Quando nos tornamos mães ou pais, familiares e amigos continuam sendo de grande importância; grupos de mães podem aumentar esta sensação de conexão e pertencimento, e ajudam os bebês a aprenderem como fazer amizades. Profissionais que trabalham especialmente com as necessidades emocionais de mães e pais com bebês pequenos podem trazer benefícios para esta nova etapa da vida.

 

8- Falando por si

Pais de novos bebês às vezes percebem opiniões de profissionais de saúde, familiares, amigos e instituições, como insensíveis ou críticas. Muitas vezes recebemos como resposta algo que não esperávamos, ou informações que não nos parecem úteis. Quando se espera um bebê, e durante muito tempo após o nascimento, é importante que se possa falar por si, expor seus conceitos, desejos e valores, de uma forma assertiva e criativa. No entanto, é muito difícil ser assertivo em todos os momentos. É mais difícil ainda quando se está em uma situação de sobrecarga, não se sente confortável, seguro, de qualquer forma de dependência ou subordinação. Uma boa saída pode ser manter-se preparado com uma ou duas respostas assertivas para serem usadas em situações como estas.

 

Fontes: What Were We Thinking, Melbourne University’s Centre for Women’s Health, Gender and Society; Our Bodies Our Selves, The Boston Women’s Health Book Collecive; Daniela Andretto e Maiana Rappaport, psicoterapeutas e coordenadoras do Grupo Pós-Parto.

 

Relatos

Três mulheres compartilham as principais emoções e desafios que viveram no puerpério.Carla, Liana e Luciana participaram dos grupos de pós-parto organizados pela Casa Moara, em 2011. Em suas histórias, destacam-se a importância das novas amizades, do respeito às necessidades individuais de cada uma, e do encontro com a essência única da maternidade. Clique nos títulos para acessar os depoimentos completos.

 

“E agora, eu não me preparei para isso, o quê eu faço?”

 

“O grupo me despertou a vontade de ser mais intuitiva”

 

“A amizade que fica é o que levamos de mais valioso”

 

Outras informações

 

Além do Grupo de pós-parto, que inicia os encontros neste dia 18 de janeiro, outras atividades estão programadas:

Leia também

 

Era uma vez no pós-parto

Reflexões sobre a maternidade: os bastidores do vídeo

 

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Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara