Mãe, Pai e Avós: como trazer leveza para as primeiras semanas do bebê

27/08/2016

Sabemos que a chegada do bebê na família mexe com as emoções (e com a vida) de todos. São novos papéis a se delinear, muitas tarefas a fazer, noites em claro e sentimentos conflitantes para os adultos, enquanto o bebê passa por um processo radical de adaptação do mundo protegido que conhecia - o corpo da mãe - para o ambiente externo e todos os estímulos e privações que isso pode significar.

 

Para todos, uma fase de grandes mudanças. Pensando nos principais personagens dessa história (além do bebê, para quem amor, calor, higiene e leite materno são o suficiente e de quem não se pode exigir nenhuma mudança de comportamento, claramente), elaboramos com a psicóloga da Casa Moara, Daniela Andretto, uma série de reflexões sobre o pós parto imediato, e como fazer dessa experiência um momento leve e amoroso, ainda que inevitavelmente turbulento.

 

 

Para as Mães

 

Por nove meses seu corpo esteve dedicado a fabricar um novo ser humano. Seu pensamento e suas emoções podem ter trabalhado nessa preparação, podem ter se distraído com questões alheias, podem ter precisado dispor energia para outros aspectos da vida cotidiana. Não é surpreendente que a chegada do bebê vire sua vida do avesso, e que você se sinta completamente perdida nesse momento.

 

A primeira dica é: não se desespere. Os sentimentos conflitantes, tristeza e cansaço extremo são normais nesse momento, vindos de uma ruptura física e psíquica tão profunda quanto natural.

 

Entregue-se. Muitas mulheres da contemporaneidade se colocam em um lugar de controle exacerbado - tanto dos aspectos práticos da vida no pós parto quanto de suas próprias emoções - tentando manter algum senso de ordem, ou forçando para retornar a vida àquilo que conheciam. Essa luta é inútil e desgastante, e torna toda a experiência mais difícil.

 

Amamente: experiências bem sucedidas de amamentação tem impacto positivo na vivência geral do pós parto. Não é de se surpreender, o bebê bem alimentado e com necessidades de colo, afeto e sucção supridas será mais fácil (ainda que mesmo assim não seja fácil) de lidar. Enquanto uma mãe que tenha atendido seus desejos de aleitar também estará mais tranquila. E não se cobre: se estiver tendo problemas com amamentação procure ajuda sem hesitar. A maioria das mulheres passa por percalços nesse processo, que é natural, mas não é automático. 

 

Aceite: o puerpério é apenas o começo da vida materna, as coisas jamais serão como antes. De nada adianta querere acelerar as coisas e desejar fugir dos desafios naturais da fase. É hora de viver o presente e lidar com as coisas como elas se apresentam, com a confiança interna de que você é capaz. O puerpério é um lugar de flexibilidade, de testar a nossa resiliência, Acredite, num piscar de olhos seu bebê estará entrando no ensino médio e você sentirá saudade dos dias que ele cabia nos seus braços. 

 

Delegue: seu bebê depende de você no pós parto imediato tanto quanto dependia quando estava dentro de você. É hora de ativar a sua rede de apoio para dar conta das suas tarefas enquanto você prioriza o bebê e sua própria recuperação. Se você trabalha, garanta e proteja sua licença maternidade. Se você é encarregada das tarefas de casa, passe a bola para quem mora com você. Sobrepor as tarefas do comecinho da vida do bebê com as tarefas da vida cotidiana é muito desgastante.

 

Para os Pais e Companheiros(as)

 

Escute: a mulher que acaba de dar à luz passa por um turbilhão de sentimentos e desconfortos físicos e emocionais. Muitas vezes ela busca mais escuta do que soluções. Esteja presente evitando julgamentos e cobranças. Já há indícios que uma mulher cercada de críticas e que se sente sozinha no momento do puerpério tem mais chance de desenvolver quadros mais atenuados de tristeza materna, ou depressão pós parto, em combinação com outros fatores.

 

Assuma tarefas: coisas simples do cotidiano, como roupas lavadas, café passado, comida na mesa, uma casa limpa, fazem uma diferença enorme no bem estar geral da família que recebe um novo bebê. Quanto mais segura a mãe estiver sobre o bom andamento das questões externas, mais estruturada ela estará para cuidar de si e do bebê.

 

Seja o anfitrião: nossa sociedade vê o pós parto imediato como um evento social. Muitas mulheres gostam e precisam dessa atenção, fazendo questão de receber visitas. Outras no entanto, prefeririam descansar a receber parentes em casa, e muitas vezes se sentem fragilizadas demais para dar atenção a pessoas de fora do núcleo íntimo da família. Conversem para entender como será a atuação da família que surge no que diz respeito à visitas e tome as providências no lugar da mãe, informando as pessoas sobre os melhores horários e filtrando quem realmente importa para vocês.

 

Cuide do bebê de coração aberto: o vínculo entre um bebê e seu pai acontece de forma diferente do que o vínculo com a mãe, com quem existe uma ligação simbiótica. A criação de espaço emocional para a formação desses laços é tão fundamental quanto os momentos de cuidado básico, como banhos, trocas de fralda, colo e apoio para dormir.

 

Converse: o pós parto é um momento delicado também para o pai ou companheiro(a). Você também está ganhando uma nova vida, e uma nova forma de se relacionar e criar vínculos com aquela nova pessoinha, além de todas as questões que virão a respeito da nova relação que terá o casal. Procure conversar com sua companheira e também com outros pais e mães. você vai perceber que muitos precisam desse papo de coração aberto, tanto quanto você.

 

 

Para os Vovôs e Vovós

 

Saia do papel de mãe: Abra espaço no coração para o nascimento da avó ou avô que você vai se tornar, inibindo o desejo de maternar ou paternar. Agora é a vez de sua filha ou filho aprenderem esse papel, e eles serão mais bem sucedidos se puderem fazer isso com seu apoio, mas por si mesmos.

 

Respeite: seus filhos farão escolhas no que diz respeito às práticas de cuidado. Não faça julgamentos, critique ou compare com as práticas que você adotou. Para filhas e filhos que se transformam em pais é muito importante sentir-se apoiados por seus próprios genitores e não competindo com eles.

 

Seja mãe do seu filho(a): Ofereça colo, apoio e escuta também para os adultos. E ajuda prática quando solicitada! O bebê estará bem e seguro se a mães e o pai/companheiro(a) estiverem bem e seguros.

 

Acredite na amamentação: As práticas e recomendações para aleitamento mudaram muito nas últimas décadas. É desejável que os vovôs e vovós estejam alinhados com o conhecimento atual desse universo, para que não atuem de forma a desestimular os novos pais nessa jornada, que pode ser desgastante. Na dúvida, pergunte para seus filhos como você pode oferecer apoio.

 

 

Para as visitas

 

Selecione: Apenas visite mulheres e bebês no pós parto imediato com quem você tem um vínculo emocional verdadeiro. Deixe as visitas sociais para um momento mais adiante, quando o furacão passar.

 

Telefone: para o pai/companheiro/avó antes de aparecer. O pós parto pode ser um momento de muita intimidade para a família que está se formando, tanto quanto é o momento do parto. Essa intimidade vagarosamente se dissipa no puerpério. Tente não ultrapassar essas barreiras íntimas, respeitando os limites da mãe. 

 

Evite pegar o bebê: deixe que a mãe cuide do bebê e ofereça sua ajuda e braços para coisas práticas, como estender uma cama, lavar a louça, recolher o lixo ou tocar a máquina de lavar roupas.

 

Presenteie com afeto: Se for levar presentes, pense em coisas úteis para o momento da mãe e da família. Chás, um bolo, a janta, máscaras de ervas, óleos para massagem, um livro sobre shantala, uma coletânea de canções serenas. Tudo que seja carinhoso, acolhedor e resolva pequenos problemas.

 

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Fotografias por:  Kátia Ribeiro,  Bia Takata, Lela Beltrão, Marcelo Min, Cristiane Pereira e Carla Raiter / Acervo Casa Moara